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6ª Balada do Crepúsculo! Diversidade, alegria, diferença, respeito, amor e Black Music!

No dia 17 de março de 2018 aconteceu a 6ª Balada do Crepúsculo, uma festa onde a diversidade é a maior atração. A alegria caminha lado a lado com a diferença. O respeito anda de braços dados com o amor. E o preconceito? Ah o preconceito é o tempo todo barrado, por estar sempre com um traje que não combina com este evento.

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Às 18 horas abriu-se a portaria e as pessoas foram chegando. O local era a sede do Crepúsculo – Centro de Desenvolvimento Humano, na Rua Sertões, 147, Prado. Todos aparentando estar bem dispostos e animados para curtir a 6ª Balada do Crepúsculo.

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A primeira atração foi o telão projetando no paredão ao fundo da casa, imagens que retratavam o cotidiano da instituição. A praça de alimentação oferecia um excelente espetinho de tira gosto e bebida gelada para acompanhar.

A pista de dança logo ficou tomada de dançarinos, pois quem agitava o pedaço era o DJ Abelha, reconhecido em BH e região como um dos melhores DJs de Soul Music da noite metropolitana mineira.

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Ao som de James Brown, Jimmy Bo Horne, Marvin GayeThe Temptations, Michael Jackson, entre outros, DJ Abelha fez sacudir o esqueleto dos presentes e promoveu na pista uma verdadeira inclusão através da dança, onde a deficiência, a falta de ritmo, a timidez foram deixados encostados no canto da parede e o que se viu foi um festival de passinhos, balanços e irreverência.

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A festa foi chegando ao seu final, mas o ânimo da galera parecia não ter fim. Mas uma hora a dança teve que parar, deixando um convite para a próxima balada que com toda essa explosão de alegria e paixão que aconteceu na noite do dia 17, a ansiedade com certeza é a palavra da vez em relação ao posterior evento.

Por Elmo Gomes

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Síndrome de down! Doença é o seu preconceito!

A síndrome de down não é uma doença. É uma alteração genética produzida pela presença de uma cópia extra do cromossomo 21 nas células de um indivíduo. Este cromossomo extra provoca a trissomia 21. Preconceito e falta de informação ainda são comuns quando o assunto é Síndrome de Down (SD). O erro mais frequente, de acordo com o geneticista Juan Llerena Junior, chefe da Divisão de Genética Médica do Instituto Fernandes Figueira (IFF), unidade da Fiocruz, é achar que a síndrome é uma doença. “O fato de uma pessoa nascer com um cromossomo 21 a mais não a torna doente. Essa alteração a faz nascer com excesso de material genético em todas as células do corpo, o que significa 329 genes a mais por célula. Esse excesso de material acaba conferindo algumas características peculiares a quem têm a síndrome, como déficit intelectual. Além disso, o bebê é mais ‘molinho’, seus olhos são um pouco mais puxados e eles são mais desajeitados para mamar. Mas dizer que essas características o tornam doente? Claro que não!”, explica o geneticista.

O depoimento de Marilene Batel, mãe de Carolina Batel vem confirmar a fala do doutor Juan e mostra que as dificuldades devem ser superadas e transformadas:

“A princípio ter uma filha com síndrome de down muito me abalou. A visão que eu tinha na época, (33 anos), era que um filho com qualquer deficiência era inaceitável. Pouco tempo foi necessário para “aceitar” e descobrir que suas potencialidades são ilimitadas e que a Síndrome de Down não é doença. Hoje eu acredito que a vida me deu uma oportunidade de crescimento e foi acrescentado na minha vida mais alegria, mais amor, mais amizades verdadeiras, mais solidariedade, e minha filha é hoje uma companheira para todas as horas”.

Como ocorre, causas e tipos                                            

A realidade é que não foi identificada uma razão concreta que provoque o aparecimento da síndrome de down. A alteração genética que causa a síndrome acontece na maioria das vezes de forma espontânea durante a formação do óvulo ou do espermatozoide, ou ainda, durante o desenvolvimento embrionário e não é genética. O que causa a Síndrome de Down são erros na fase da meiose, durante o processo de divisão celular do embrião. Sabe-se então que não tem como se definir a causa da síndrome de down, mas  existem meios de compreender como ela ocorre:

Normalmente, os seres humanos possuem 46 cromossomos em cada célula do corpo. Esses cromossomos são separados em pares que vão desde o 1º até o 22º par, chegando, então, nos cromossomos sexuais (XX ou XY). 23 desses cromossomos são herdados da mãe, enquanto os outros 23 vem do pai.

Geralmente, o erro ocorre por conta de uma não-disjunção, caracterizada pela incapacidade de um cromossomo se juntar ao seu par, dando origem, então, a um cromossomo extra, que costuma se ligar ao 21º par em uma célula completa.

Na fecundação, ocorre a junção do espermatozóide com o óvulo, devendo resultar numa célula com o total de 46 cromossomos. Depois, essa célula se divide, dando origem a uma nova célula clone, com todas as características da célula original. Dessa maneira, dá-se o desenvolvimento normal de um embrião. Quando a célula original acaba tendo 47 cromossomos, todas as células seguintes terão, também, 47 cromossomos.

Há vários tipos de síndrome de down que se diferem em como e quando ocorre a não-disjunção, ou seja, quando o cromossomo extra aparece. Entenda:

Trissomia simples

Na trissomia simples, a não-disjunção ocorre no óvulo ou no espermatozóide, fazendo com que a célula tenha 24 cromossomos, em oposição aos 23. Quando ocorre a fecundação, dá-se origem a uma célula com 47 cromossomos, que se multiplica e forma o embrião.

É o tipo mais comum de síndrome de Down e não existem causas específicas para que isso ocorra.

Translocação

A translocação ocorre quando o indivíduo possui dois cromossomos 21 completos e mais um pedaço de um terceiro cromossomo 21 ligado a outro par, geralmente 13, 14, 15 ou 22.

Isso acontece quando o pai ou a mãe possui, ao invés dos dois cromossomos do 21º par completos, um dos cromossomos completo no local certo, enquanto o outro se soltou e grudou-se em outro par (novamente, 13, 14, 15 ou 22). Nesses casos, o genitor não apresenta a síndrome pois, apesar da localização errada, apresenta o número certo de cromossomos nas células.

Ao passar seu material genético para a criança, as células normais (com dois cromossomos no 21º par) se juntam às alteradas (com um cromossomo no 21º par e uma parte em outro par), somando um total de 3 cromossomos 21: 2 na 21º posição e outro em alguma outra parte do código genético.

Esse tipo possui um pouco de fator hereditário, mas isso não configura uma causa para a condição. Ocorre em cerca de 3,5% da população com síndrome de Down.

Mosaicismo

Acometendo apenas 1,5% dos indivíduos com a síndrome, o mosaicismo ocorre quando o indivíduo possui tanto células com 46 cromossomos quanto células com 47. Isso acontece quando, durante a formação do embrião (após a fecundação), ocorre uma não-disjunção, originando uma célula com 47 cromossomos.

Assim, algumas células serão cópias das células originais, com 46 cromossomos, enquanto outras serão cópias da célula alterada, com 47.

Nesses casos, as manifestações da condição podem ser mais leves, mas isso não é uma garantia, uma vez que, dependendo em qual parte da gestação houve a não-disjunção, o indivíduo pode acabar tendo um grande número de células alteradas.

Por não se tratar de uma doença, a síndrome de Down não tem cura. Quando o indivíduo nasce com essa alteração, ela não desaparece. Entretanto, devido às limitações que ela pode causar na vida do paciente, existem diversas intervenções que podem ser feitas a fim de melhorar sua qualidade de vida.

Entretanto, isso não quer dizer que elas não são capazes de aprender, ir à escola, formar-se e trabalhar. A severidade da deficiência na cognição varia muito de pessoa para pessoa, porém, tem-se conhecimento de que o desenvolvimento cognitivo é, também, muito influenciado pela educação e ambiente no qual a criança cresce.

Em suma, a estimulação de processos cognitivos em indivíduos com a síndrome de Down pode melhorar essas capacidades, fazendo com que o QI dessas pessoas seja mais alto do que o esperado. Muitas vezes, chega a 82, em oposição ao QI médio de 62.

Para muitos, o convívio com a SD parece um desafio, mas cada dificuldade pode ser superada com paciência e dedicação. Embora muitos pais fiquem frustrados com a notícia de que seu bebê tem a síndrome, é importante ressaltar que isso não quer dizer que o indivíduo nunca terá boa qualidade de vida, independência e realização pessoal. O desenvolvimento da pessoa com síndrome de down é mais lento que de uma pessoa sem essa alteração genética, mas com acompanhamento de especialistas e tratamentos específicos a pessoa com down pode se desenvolver e apesar de não existir um guia definitivo de médicos e remédios que o paciente irá precisar ao longo de sua vida, uma vez que cada indivíduo tem as suas particularidades, o amor, o carinho, a atenção, o apoio e o estímulo com certeza farão toda a diferença.

 

Fontes:

https://nace.igenomix.com.br/blog/causas-da-sindrome-de-down/

https://drauziovarella.uol.com.br/geral/sindrome-de-down-nao-e-doenca/

https://minutosaudavel.com.br/o-que-e-sindrome-de-down-caracteristicas-causas-e-sintomas/

 

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Direto de Ouro Preto, Grupo de Teatro Residência encanta o público no Crepúsculo

O Crepúsculo – Centro de Desenvolvimento Humano realizou a edição 2017-2018 do Projeto Manutenção Crepúsculo Cia de Dança. Dentro do projeto foram recebidos cinco grupos de teatros com sede em cidades distintas de Minas Gerais.

No dia 16 de fevereiro de 2018 apresentou–se na sede do Crepúsculo o Grupo de Teatro Residência de Ouro Preto, com o espetáculo Amores e Dores no País das Flores.

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O Grupo Residência é uma das mais representativas células produtoras de teatro do novíssimo movimento de produção de artes cênicas e visuais da cidade de Ouro Preto, impulsionado principalmente pelo advento dos cursos superiores de teatro e música da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Criado em 2001, o Grupo Residência acredita que fazer arte contemporânea em Ouro Preto, cidade símbolo da memória nacional, é uma forma de alimentar-se do potencial advindo do passado e convertê-lo em propulsão para projetos que apontem para o futuro, acreditando que o choque entre o velho e o novo valoriza ambos.

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Pela manhã os atores do Grupo Residência participaram de uma vivência com os integrantes da Crepúsculo Cia de Dança. Durante uma hora de oficina houve uma troca de sentimentos, técnicas e valores humanos entre os componentes dos dois grupos, onde puderam se conhecer e se aproximar de uma forma lúdica, mágica e espontânea. Uma experiência muito rica que mexeu com todos os participantes.

O ator Juliano Mendes, um dos fundadores do Grupo Residência, ao final do espetáculo disse bem emocionado: “convidado para integrar um programa próprio da Crepúsculo Cia Dança, o Grupo Resid(ê)ncia foi surpreendido, no dia 16 de fevereiro, com uma experiência profundamente humana, compartilhando o fazer artístico com pessoas que, experimentando diferentes limitações motoras e cognitivas, desenvolvem, através da arte, mecanismos pessoais e aprofundados de comunicação e expressão. Na oportunidade, o que nos uniu, atores do Grupo Resid(ê)ncia e bailarinos da Cia. Crepúsculo, não foi nossa diferença, como é comum na sociedade em geral, mas nossa semelhança. Respiramos, dançamos, criamos juntos. Viramos um corpo só. E se, num primeiro momento, fomos afetados pela emoção, o que poderia turvar as relações criativas, rapidamente fomos tomados pela experiência mais objetiva, simples: éramos todos artistas improvisando sobre as sugestões dadas. Repito: não havia diferença. A arte nos aproxima. Nos liberta. E ponto.

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À tarde, a partir das 15 horas, o espetáculo foi apresentado para um público composto por integrantes dos Cras (Centro de Referência e Assistência Social) do Vista Alegre e do Morro das Pedras e os participantes e funcionários do Crepúsculo.

Os participantes assistiram uma trama composta por cinco atores, Dalila Xavier (Hérmia), Francisco Minervino (Joaquim José), Haylla Rissi (Tiadorim), Julliano Mendes (Juvenal) e Thiago Meira (Décio e Hortelino), que se revezavam no palco interpretando seis personagens: Hortelino ama Tiadorim, a filha do prefeito, que ama Romeu que também é amado por Hérmia, que é amada por Juvenal, que é cúmplice dos planos de Décio para roubar a fortuna de seu patrão, Joaquim José da Silva Xavier, que ama seu dinheiro, que misteriosamente sumiu.

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Uma boa atração para a volta do pós carnaval, pois possui um enredo baseado no humor, alegria, amor, sensibilidade e vários sentimentos que permeiam a vida dos humanos em geral.

Por Elmo Gomes

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Preconceito não rima com carnaval

A maior festa de rua do mundo, isso mesmo, não só do Brasil, cada vez mais vem ganhando o respeito e a admiração das pessoas com deficiência, seus familiares amigos e profissionais que atuam a favor da inclusão, da diversidade e do respeito à diferença.

Essa afirmação é positiva e pode ser confirmada ao se constatar o aumento gradativo, não só das ações inclusivas com as pessoas com deficiências nas brincadeiras de carnaval, mas, também ao trazer o assunto para dentro dos blocos, escolas e grupos carnavalescos.

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Em todo o Brasil pode-se ver ações de acessibilidade em vários movimentos carnavalescos.

No Rio de Janeiro os blocos Eficiente, Tá Pirando, Pirado, Pirou!, Senta que eu empurro!, realizam há alguns anos a celebração à diversidade. Em São Paulo o Bloco do Pedal, formado por ciclistas teve a participação da bateria Tom Bom, constituída só por pessoas com deficiências. O Vibra Mão é outro bloco paulista, este, dedicado a pessoas dom deficiência auditiva, o Bloco “Sim Fodemos!” provoca a sociedade de forma lúdica levantando o tema da sexualidade e deficiência, mas, uma ação que chama a atenção em São Paulo e deveria ser copiada, ocorre durante os desfiles das escolas no Sambódromo do Anhembi. Surdos podem acompanhar os desfiles através de tradução em libras, dos samba enredos em telões espalhados na avenida e para os cegos há a áudio-descrição de toda a movimentação das escolas.

Em Belo Horizonte há vários blocos inclusivos e muitas ações de acessibilidade durante o carnaval da capital mineira.

No dia 03/02/2018 aconteceu o 12º Grito de Carnaval do Bloco APAE Folia que contou com a participação da Apaetucada, a bateria formada por pessoas com deficiência atendidas pela instituição. O Bloco Chama o Síndico deu um show de civilidade, acessibilidade e respeito, ao inserir em seu desfile o Sindicato Inclusivo. Na quarta feira dia 07/02/2018 o Bloco Chama o Síndico desfilou na Avenida Afonso Pena e o Sindicato Inclusivo foi o responsável pela abertura do desfile do bloco. Os presentes puderam vivenciar um acontecimento incrível, centenas de milhares de foliões que se renderam ao som e carisma contagiantes dos integrantes do Sindicato Inclusivo. O musicoterapeuta e psicólogo, Bruno Lima, o “Titio”, um dos fundadores do Sindicato, afirmou que experimentou um sentimento de realização de um sonho coletivo, que ele traduziu no trecho da música de Raul Seixas: “Sonho que sonha só, é só um sonho que sonha só, mas sonho que sonha junto é realidade”. Realidade que segundo “Titio”, foi possível graças ao apoio da Banda/Bloco Chama o Síndico, e ao ser indagado sobre a apresentação no dia do desfile ele concluiu: “Me emocionei bastante, superou todas as minhas expectativas, ao ver a aceitação de todo o público, de toda a bateria, de toda a banda e ainda presenciar a felicidade de todos os pais e todos os participantes, que se refletiu no brilho do olhar de cada um, transmitindo a possibilidade e a perspectiva de valorização pessoal e da auto-estima. Isso foi maravilhoso e realmente muito emocionante”.

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No dia 11/02 foi o dia do desfile do Bloco Todo Mundo Cabe no Mundo, idealizado pelo artista plástico cadeirante Marcelo Xavier, que conta: “A iniciativa surgiu depois que passei a ser cadeirante, percebi que essa parte da população ficava de fora da festa. Faltava algo que os inspirasse a sair de casa e não sentirem-se excluídos”. O advogado Marcos Ribeiro deu um depoimento emocionado sobre o bloco: “Minha esposa e eu peregrinamos, no maior número de blocos possível a seres humanos com mais de 30 anos de idade, mas de todos os blocos, o que me fez apaixonar foi o “Todo Mundo Cabe no Mundo”, que desfilou na Savassi, sábado a tarde. Não tem a fama, o glamour dos outros, e nem atrai os milhares de foliões, mas é um grupo de inclusão social, com crianças com síndrome de down , e autistas na bateria, cadeirantes, pessoas com paralisia física e mental, alegres e inclusos como devem ser. E o folião que sempre fui, pela primeira vez chorei de alegria, e essa emoção me fez reforçar algo que eu felizmente, já havia concluído: se existe alguma deficiência das pessoas é na alma, e não física ou mental, e que todo preconceito de qual natureza for, é filho da ignorância”.

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Ainda em Belo Horizonte a instituição Crepúsculo – Centro de Desenvolvimento Humano, pelo quarto ano colocou seu bloco na rua, ou melhor, na praça. Há quatro anos, toda quinta feira que antecede o carnaval o Crepúsculo desfila o Bloco Ai Papai, e este ano não foi diferente. No dia 08 de fevereiro, o Bloco Ai Papai, às 15 horas, deu início à farra de carnaval. A Praça Borges da Costa, localizada no Bairro Prado, em BH/MG, se transformou no palco de alegorias, fantasias, marchas de carnaval, muito entusiasmo e alegria. Ao som da batucada formada pelos amigos do Bloco Chega o Rei, os participantes do Crepúsculo caíram na folia. Este ano com uma novidade, o Bloco Ai Papai, ganhou a sua marchinha oficial, “A Chama do Crepúsculo”, composta por Marcos Fabrício, poeta e doutor em literatura e jornalismo. A letra da música retrata a realidade da instituição.

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Essas aberturas são apenas o primeiro passo que a sociedade está dando para a real inclusão, que tem que ser conquistada e concretizada de uma forma ampla, com uma via de mão dupla onde a diferença não seja uma limitação.

Por Elmo Gomes

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Arraiá Inclusive – Uma Celebração da Diversidade

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Uma tarde fria típica do mês de julho, ótima para ficar em casa? Nada disso! Não para os colaboradores, familiares, atendidos, vizinhos e amigos do Crepúsculo – Centro de Desenvolvimento Humano, pois estes tiveram o prazer de participar do Arraiá Inclusive, a Festa Julina do Crepúsculo. Uma festa inclusiva que acontece anualmente e celebra a tradicional festa de São João, com quadrilha, casamento na roça, comidas e bebidas típicas, brincadeiras, alegria, animação, interatividade, diversidade e muita música boa, que nesta edição teve a brilhante participação do Trio Lampião.

O Arraiá Inclusive aconteceu no dia 15 de julho de 2017, das 11:00 às 18:00 horas, com todos os ingredientes necessários para uma boa confraternização. Logo pela manhã o local já estava agitado com os preparativos finais de decoração e preparação das guloseimas. Às 11 horas os portões foram abertos e o público foi se achegando e curtindo um arrasta pé comandado pelo DJ Hely Rodrigues, que agitou o espaço.

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O público pôde degustar várias iguarias como caldos de mandioca, abóbora, batata baroa, canjiquinha, cachorro quente, broas, doces, porções na chapa, em um dos ambientes e também tinham a opção do delicioso omelete e do macarrão na chapa, da Omeleteria Gourmet, tudo acompanhado por suco, refrigerante e o quentão de vinho, que fez muito sucesso.

As brincadeiras tradicionais animavam a criançada e até alguns adultos, mas o bingo foi o grande divertimento de todos, com muita emoção e alegria a cada prêmio entregue. A festa ficou realmente animada quando se deu início ao casamento na roça, com direito a noivo fujão capturado pelo seu delegado e na sequência o grande baile que finalizou a festa ao som do Trio Lampião, um grupo com 13 anos de estrada, difundindo o Forró Pé de Serra no Brasil e no mundo, pois possui experiência e reconhecimento em apresentações internacionais.

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Formado por Fred Letro, vocais e zabumba, Glauco Bruzzi, triângulo e Júlio César, sanfona, o Trio Lampião, com muita qualidade sonora, profissionalismo e carisma conquistou a todos os presentes e promoveu um verdadeiro baile de arrasta pé com o melhor do estilo musical, que incluiu Luiz Gonzaga, Os 3 do Nordeste, Jackson do Pandeiro, Marinês, Trio Nordestino, Zinho, Dominguinhos, entre outros do gênero, um show de tirar o fôlego e não deixar ninguém parado.

Após algumas horas de diversão, dança, descontração e muita animação, encerrou-se mais uma edição do Arraiá Inclusive, que a cada ano se consolida como uma festa inclusiva da diversidade e da celebração da igualdade entre as pessoas. Todos os presentes devem ter ido embora satisfeitos e com um gosto de quero mais, com a expectativa de estarem presentes no ano seguinte.

Por Elmo Gomes

 

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4ª Balada do Crepúsculo, diversidade, inclusão e solidariedade de mãos dadas

Uma noite de sábado bem agitada, alegre e muito festiva teve quem compareceu na sede do Crepúsculo – Centro de Desenvolvimento Humano, no dia 18 de março de 2017 e pôde curtir a 4ª Balada do Crepúsculo, uma festa inclusiva que preza pela diversidade e tem como objetivo maior a interação entre os vários públicos englobados no seu cotidiano.

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Às 18 horas as portas foram abertas e os atendidos do Crepúsculo, com seus familiares e amigos convidados, juntamente com vizinhos foram chegando cheios de entusiasmo e alegria. Aos poucos o espaço estava bastante movimentado e o clima estava agradável e a expectativa aumentava para o início das apresentações artísticas.

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A dupla Heranças, formada por Guilherme no violão e Ana Ju no vocal, que possui uma voz suave e encantadora, fizeram as honras da casa e começaram a agitação na pista. Entoando canções modernas de bandas como A Banda Mais Bonita da Cidade, Lulu Santos, Thiago Iorc, Charlie Brown Jr, Ana Vitória entre outros sucessos, a Heranças esquentaram o ambiente, colocaram todo mundo para dançar e cantar e deixou o público sedento por mais agito e preparado para receber a Banda Catuaba Crew.

A vocalista Ana Ju disse como foi tocar para um público diversificado como o da Balada do Crepúsculo: “Tem certos momentos na vida da gente que chegamos a desacreditar de tudo, mas a partir de uma coisa especial que fazemos com o coração e temos o retorno disso, percebemos que a vida é muito mais do que só agradar aos outros. O sorriso e a animação de cada um dos meninos do Crepúsculo, me trouxe uma nova expectativa, um novo ponto de vista. Meu coração se enche de alegria pela simples sensação de ter sido salva pela inocência de cada um”.

A noite ainda prometia e a Banda Catuaba Crew elevou mais os ânimos dos presentes e todos soltaram a garganta e se sacudiram ao som de sucessos do pop nacional de Tim Maia, Capital Inicial, Legião Urbana, Charlie Brown Jr, em uma sequência para tirar o fôlego de qualquer um. Quando parecia que já havia terminado, a Catuaba Crew despejou a dose final em ritmo de Mamonas Assassinas, fechando com chave de ouro a sua participação numa festa totalmente inclusiva e bonita de assistir e participar.

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Os meninos da Catuaba Crew e da Heranças, em uma demonstração de carinho e humildade tiveram um tempo para as fotos finais, compartilhando o êxtase em que todos se encontravam. O percussionista Lucas Gabriel agradeceu ao público e a produção: “Foi um lindo festival, adorei a vibe, obrigado por tudo”!

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Em uma noite onde a diversidade e a alegria foram as maiores atrações, houve também a participação da solidariedade, com a doação de alimentos não perecíveis que a “Heranças” repassará para famílias com dificuldades financeiras. Uma festa totalmente inclusiva, como se deve ser sempre.

Por Elmo Gomes

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Grito de Carnaval do Crepúsculo

Na quinta-feira, dia 23/03, que antecedeu a festa do carnaval o Crepúsculo – Centro de Desenvolvimento Humano/Associação Ita Wegman preparou para os participantes da instituição uma bonita folia, que foi o Grito de Carnaval do Crepúsculo.

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Os participantes se enfeitaram com muito entusiasmo e criatividade, era uma fantasia mais bonita que a outra. O professor Paulucci, acompanhado do músico voluntário Hely Rodrigues, puxaram as marchinhas de carnaval e a Praça Borges da Costa, que se localiza em frente à sede do Crepúsculo, se transformou em um grande baile carnalesco.

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Os moradores do entorno vieram prestigiar e também brincaram e cantaram as marchinhas ao lado dos meninos e meninas, em uma bela celebração da diversidade, com muito carinho, respeito e é claro, bastante alegria.

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A moradora Fátima deu um pequeno relato demonstrando a opinião dos vizinhos sobre o evento: “Numa tarde muito especial a Crepúsculo encantou a vizinhança com um carnaval colorido e musical na nossa pracinha. Foi emocionante compartilhar emoções tão genuínas. Somos gratos à família Crepúsculo que sempre tem para nós os braços do acolhimento e o sorriso no olhar. Lindo!”

Por Elmo Gomes

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Partilha e alegria foram a tônica das confraternizações do Crepúsculo – Ita Wegman

O fim de 2016 se aproxima e as comemorações de Natal e de boas vindas a um novo ano são realizadas nos quatro cantos do planeta. No Crepúsculo – Centro de Desenvolvimento Humano – Associação Ita Wegman não é diferente. No dia 16 de dezembro, sexta-feira, às 16:30, foi realizado pela primeira vez o Culto de Natal do Crepúsculo – Ita Wegman, que reuniu nossos funcionários e atendidos como uma forma de agradecer por todas as conquistas realizadas em nossa vida. O Culto de Natal foi uma cerimônia simples, porém muito simbólica e importante para que possamos refletir sobre este período que é um momento de renovação através da vivência do nascimento do menino Jesus. 4 No sábado foi a hora de reunir toda a família Crepúsculo – Ita Wegman em uma ceia de natal entre funcionários, atendidos, familiares e amigos. Para celebrar de forma compartilhada, cada convidado trouxe um prato típico da época, podendo ser salgado ou uma sobremesa, demonstrando toda felicidade em participar deste momento de confraternização. 3 O momento mais esperado da noite era a entrega dos presentes do amigo oculto que em nossa instituição é feita de uma maneira diferente. Formamos uma roda que significa a aliança e os presentes vão circulando de acordo com que uma música toca e quando esta é interrompida o mimo que a pessoa estiver em mãos é a sua lembrança de Natal. 5 Após a diversão durante a entrega dos presentes a ceia foi servida e todos degustaram as delícias oferecidas pelos convidados e no final uma surpresa agradável e inusitada. A chegada do bom velhinho, o Papai Noel, que compareceu para abraçar a todos e fazer a alegria dos convidados, com direito a bastante fotos. 2 Com estas comemorações e partilhas o Crepúsculo – Centro de Desenvolvimento Humano – Associação Ita Wegman finda seus trabalhos em 2016 desejando a todos boas festas, um feliz natal e que em 2017 possamos seguir juntos nossa caminhada com muita paz, harmonia, sabedoria, fé e esperança e também que muitas conquistas e sonhos continuem a serem realizados.

Por Elmo Gomes

Vejam todas as fotos no link do facebook:

https://www.facebook.com/pg/crepusculoarte/photos/?tab=album&album_id=1900355023529225

 

 

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Crepúsculo sede espaço para reunião de moradores do Prado com a Polícia Militar

O Crepúsculo – Centro de Desenvolvimento Humano, no dia 14 de dezembro de 2016, às 19:30 horas sediou a solenidade de entrega aos moradores e comerciantes do Bairro Prado das placas da Rede de Proteção Preventiva, por parte da Polícia Militar de Minas Gerais, representadas na ocasião pelo Major Heleno, Comandante da 125ª Cia da Polícia Militar de Minas Gerais, 1º Tenente Jerferson, chefe do P5 do 22º Batalhão da Polícia Militar, 2º Tenente Emerson, comandante do policiamento do setor ao qual pertence o Prado e o Aspirante Gilson, além de outros militares e dos músicos do Quarteto de Cordas da Orquestra Sinfônica da Polícia Militar, que abrilhantaram o evento com belas interpretações musicais.

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O Tenente Jerferson, foi o mestre de cerimônia da noite saudando a todos de forma educada e simpática e presidindo a fala dos representantes da mesa, o Major Heleno, e o 2º Tenente Emerson, que ressaltaram a importância da mobilização da comunidade em busca de resoluções que possam ajudar na melhoria da segurança pública de sua região. Os militares se disseram satisfeitos com a aproximação da corporação com a comunidade e se comprometeram a realizar esse serviço da melhor forma possível, afirmando que estarão sempre prontos e solícitos para garantir o melhor desempenho de suas atividades.

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Para o recebimento das placas da Rede de Proteção Preventiva foram convidadas como representante dos moradores a Senhora Lucineide e dois comerciantes, que ainda tiveram a honra de receber o certificado de agradecimento da Polícia Militar pela contribuição significativa na realização desse projeto importante para os moradores e comerciantes do Bairro Prado.

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A solenidade teve seu encerramento com a linda participação dos músicos da Orquestra Sinfônica da Polícia Militar.

Por Elmo Gomes

Confira todas as fotos no link do facebook que segue abaixo:

https://www.facebook.com/pg/crepusculoarte/photos/?tab=album&album_id=1897215417176519

 

 

 

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TODO MUNDO TEM LIMITAÇÕES – Por Marcos Fabrício Lopes da Silva*

Trago em meu socorro o músico e filósofo Raul Seixas, na canção Metamorfose ambulante (1973), para chegar a esta definição: deficiência é “ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. No panorama da confusão, tornamo-nos incapazes de alterar a marcha do terrível processo dúbio “integrador e desintegrador”, e os seres humanos tornam-se marginais à construção social desejada. O mal-estar provoca nosso isolamento, cegando a nossa aderência ao mundo. Atrás da máscara da alegria esconde-se uma crescente incapacidade para o verdadeiro prazer. Ao mesmo tempo, sob a imperiosa necessidade de se dizer feliz e de ter prazer a qualquer preço, encontra-se a cultura de repressão, do individualismo, da imposição, do consumo, do estereótipo, do fingimento e da sua companheira indissociável: a solidão. É a paixão de Narciso que nada pode enxergar além de si e para si. Isto é o que se convencionou chamar perigosamente de normalidade. O que é normalidade? Sem esgotar a questão, tomarei emprestado uma passagem do livro O reflexo de Tânita (1989), de Celi Oliveira Freitas, para sugerir que a normalidade acontece na seguinte situação: “costumo achar que no mundo devia ter pelo menos meio minuto em que todos os seres humanos estivessem pensando e sentindo a mesma coisa”. A inexistência de paradigmas de consenso desumaniza e ameaça implodir a convivência dos homens, a vida em nosso planeta. A Terra não aguenta mais o improviso de uma ética oportunista sem limites e sem diálogo, sobretudo quando as relações sociais, na sua microfísica, carecem de uma agenda comum que nos referencie a responsabilidade coletiva com a vida. Cabe também salientar que toda totalização, porém, não vale nada se precisamente não está inscrita a presença da divisão, da oposição ou da “presença da guerra”, como salienta o psicanalista Pierre Fédida, em A negação da deficiência: a instituição da diversidade (1984). Guerra aqui entendida como conflito e como confronto. A respeito, Fernando Pessoa, em Livro do desassossego, sublinhava poeticamente: “Eu sou o intervalo entre meu próprio desejo e o que os desejos de outros fizeram de mim”. Isso nos faz melhor compreender esse “outro” deficiente e diferente, que somos e em que estamos: “e a percepção da deficiência do outro supõe de nossa parte a experiência interior de nossos limites, o conhecimento operatório do que eu chamaria nossa própria deficiência”, avalia Fédida. Em outros termos, com sabedoria lúdica, bem explica o Crepúsculo: Centro de Desenvolvimento Humano, em Todo mundo tem limitações (2016), canção composta por Gustavo Bartolozzi (letra) e Wilson Souza (música): “Todo mundo tem limitações/Todo mundo tem limitações/O super-homem, o rei e a rainha/Também têm limitações/Papai, mamãe e o namorado da vizinha/Também têm limitações/Tem quem não use os pés pra caminhar/Quem mesmo ouvindo não saiba escutar/Não fale com a boca e quem não tenha o que falar/Quem não voe com seus corações/Todo mundo tem limitações/Todo mundo tem limitações/O Mickey Mouse, Cascão e Cebolinha/Também têm limitações/O marceneiro e o almirante da marinha/Também tem limitações/Tem quem não veja em quem já vai pisar/Quem não acorde com vontade de cantar/Não veja no outro um motivo pra abraçar/Não se sinta de todas as nações/Todo mundo tem limitações/Todo mundo tem limitações/O doutor, o juiz e o chefe de cozinha/Também têm limitações/Saci, Emília, Peri, Macunaíma/Também têm limitações/O super-homem e o almirante da vizinha/Também têm limitações/Papai, mamãe, Cascão e Cebolinha/Também têm limitações”. Do “ser-ninguém” ao “ser-pessoa”: o lento reconhecimento da condição humana engloba, como tudo, uma questão de valores, atitudes e modelos de desenvolvimento. É chegada a altura de substituirmos os valores meramente economicistas do êxito individual e do rendimento competitivo no trabalho, pelos valores da cooperação, da entreajuda, da solidariedade e do calor da afetividade. À uniformidade temos de opôr a diversidade; à exclusão temos de opôr a participação; ao antagonismo temos de opôr a complementaridade; aos conflitos étnicos, o interculturalismo; à segregação, a integração; à lógica do lucro, a lógica da realização do homem; à exploração, a cooperação; à intolerância, a tolerância; à xenofobia, o respeito pela diferença; à lógica do eu e o outro, a lógica do eu e o outro, ou melhor, do eu com o outro. Sobre o referido assunto, assertivo foi o escritor e jornalista Frei Betto, no texto “Deficiente é a sociedade” (O Globo, de 18/07/2016): “Há palavras e expressões que, com o tempo, desabam do paraíso ao inferno. São rejeitadas pelo crivo implacável do politicamente incorreto. Porque estão impregnadas de preconceitos. Na minha infância, chamava-se aleijado quem tivesse uma deficiência física que lhe dificultasse a mobilidade. Depois, deficiente físico. Em seguida, portador de deficiência física. Mais tarde, pessoa portadora de necessidades especiais. Ora, toda a terminologia do parágrafo acima recai sobre a caracterização do indivíduo, quando deveria caracterizar a sociedade. Ela é a deficiente, pois torna esse indivíduo um ser com dificuldades de interação e integração, em especial quando lhe faltam equipamentos sociais que lhe facilitem atividades e mobilidade”. O comentário em destaque está em sintonia com a amadurecida Declaração de Salamanca (1994). Naquele documento orientador de políticas e de ações de inclusão educacional e social de Todos, do qual o Brasil é signatário, existe um divisor conceitual, digno do melhor reconhecimento prático: “deficiência não é um conceito neutro que descreve corpos com impedimentos, mas o resultado da interação do corpo com impedimentos com ambientes, práticas e valores discriminatórios”. A educação inclusiva de verdade se faz com uma sociedade mais justa e igualitária, na qual todos possam existir sem sofrer preconceito e discriminação. Incluir é uma responsabilidade social de grande valor ético.   * Professor das Faculdades JK e Ascensão, no Distrito Federal. Jornalista, poeta e doutor em Estudos Literários pela UFMG. Graduando em Letras pela UnB